Câncer prevencao e tratamento


Dados  & tendências no Brasil

Dados pontuais e estimativas

  • Em 2020, o INCA estimou 66.280 casos novos de câncer de mama no Brasil.
  • Para o triênio 2023-2025, o INCA estima uma média anual de 73.610 casos novos de câncer de mama feminino.
  • Em 2019, o INCA estimou 59.700 casos novos.
  • Segundo o “Panorama do Câncer de Mama” (Sociedade Brasileira de Mastologia), entre 2015 e 2022 foram notificados 374.548 novos casos da doença (média de ~ 46.818 casos/ano).
  • De 2018 a 2023, segundo levantamentos, o número de diagnósticos passou de 40.953 para 65.283, um aumento de ~ 59 % em seis anos.
  • No período de 2015 a 2022, os óbitos por câncer de mama chegaram a 160.760 notificações. O ano com mais óbitos foi 2023, com 20.399 casos; o menor foi 2015, com 15.593.
  • As taxas de mortalidade por câncer de mama no Brasil, ajustadas por idade, têm apresentado crescimento gradual ao longo das décadas.


Tendências gerais

  • Globalmente, a incidência de câncer de mama tem crescido em muitos países: uma estimativa sugere que as taxas anuais aumentaram entre 1% a 5% em metade dos países examinados.
  • No Brasil, observa-se uma curva ascendente de casos, em linha com a tendência global.
  • Também há relatos de “rejuvenescimento” do câncer de mama no Brasil, com parcela significativa dos casos ocorrendo em mulheres mais jovens (por exemplo, de 30 a 49 anos).
  • A cobertura de rastreamento por mamografia no SUS tem sido limitada: por exemplo, o número de mamografias caiu de ~ 2,6 milhões em 2019 para ~ 1,5 milhão em 2020.


Prevenção e tratamento do câncer de mama

A seguir, um artigo com informações sobre como prevenir, diagnosticar precocemente e tratar o câncer de mama.


Introdução

O câncer de mama é uma neoplasia maligna que se desenvolve nos tecidos mamários, geralmente nos ductos (câncer ductal) ou lóbulos (câncer lobular). É o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil (quando excluímos os tumores de pele não melanoma) e representa uma das principais causas de morte por câncer no país.

Fatores de risco incluem predisposição genética (por exemplo, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2), idade avançada, exposição hormonal (ter tido primeira menstruação muito cedo, menopausa tardia, uso prolongado de terapia hormonal), obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, entre outros.

O bom prognóstico depende muito da detecção precoce e do tratamento adequado.



Prevenção

A prevenção não garante que o câncer não apareça, mas pode reduzir risco ou facilitar o diagnóstico precoce:

  1. Estilo de vida saudável

    • Manter peso corporal adequado e evitar obesidade, especialmente após a menopausa.
    • Praticar atividade física regular (por exemplo, pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana).
    • Limitar consumo de álcool (quanto menos, melhor).
    • Evitar tabagismo.
    • Alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, fibras e pobre em carnes processadas e gorduras saturadas.
  2. Busca de histórico familiar

    • Se houver casos de câncer de mama na família (mãe, irmãs, filhas), especialmente em idade precoce, considerar avaliação genética (testes BRCA, outros genes).
    • Acompanhamento mais rigoroso em portadoras de mutações de alto risco.
  3. Rastreamento / diagnóstico precoce

    • A mamografia é o método mais utilizado para rastreamento em mulheres assintomáticas, geralmente recomendada entre 50 e 69 anos (mas há debate sobre iniciar antes em populações específicas).
    • O autoexame das mamas: ensinar as mulheres a conhecerem suas mamas e observar alterações (nódulos, retração, secreção, pele com aspecto diferente) pode ajudar na detecção precoce.
    • Exames clínicos das mamas realizados por profissionais de saúde.
    • Em casos de alto risco (genético), outros métodos adicionais (ressonância magnética, ultrassonografia) podem ser indicados.
  4. Políticas de saúde pública

    • Melhor cobertura de mamografia no SUS e redução de barreiras de acesso.
    • Campanhas de conscientização (Ex: Outubro Rosa) para estimular a procura pelo rastreamento.
    • Monitoramento epidemiológico e melhoria dos registros de câncer.


Diagnóstico e estadiamento

  • Quando a paciente percebe um nódulo ou alteração suspeita ou no exame de rastreamento, realiza-se exames complementares: mamografia diagnóstica, ultrassonografia, biopsia (punção ou excisional), exame histopatológico.
  • Após confirmação, realiza-se estadiamento (avaliação de extensão): envolvimento de linfonodos axilares, metástases em ossos, fígado, pulmões ou outros órgãos, por meio de exames de imagem (tomografia, cintilografia, PET, ressonância, raio-X, etc.).
  • Também é feita a caracterização molecular do tumor (receptores hormonais – ER, PR; HER2; índice de proliferação Ki-67; perfil genético) para orientar o tratamento.

Tratamento

O tratamento depende do tipo de tumor, estadiamento, características moleculares e condições da paciente. Pode envolver:

  1. Cirurgia

    • Cirurgia conservadora da mama (tumorectomia, quadrantectomia) se for possível, seguida de radioterapia.
    • Mastectomia radical ou parcial, nos casos em que não é possível conservar a mama.
    • Avaliação e retirada de linfonodos (linfático sentinela ou dissecção axilar) para verificar se houve disseminação.
  2. Radioterapia

    • Frequentemente usada após cirurgia (principalmente conservadora), para destruir células residuais e reduzir risco de recidiva.
  3. Terapia sistêmica (quimioterapia, hormonioterapia, terapias-alvo)

    • Quimioterapia: uso de drogas citotóxicas para destruir células cancerígenas, especialmente em tumores agressivos ou com risco de metástase.
    • Hormonioterapia: para tumores com receptores hormonais positivos (ER/PR), medicações que bloqueiam hormônios (como tamoxifeno, inibidores de aromatase) reduzem risco de recidiva.
    • Terapias-alvo / biológicas: em tumores HER2-positivos, drogas como trastuzumabe, pertuzumabe são comumente empregadas.
    • Imunoterapia: em alguns casos específicos, dependendo de marcadores moleculares do tumor.
  4. Tratamentos complementares / suporte

    • Cuidados com efeitos colaterais (controle de náuseas, suporte nutricional, fisioterapia, reabilitação, apoio psicológico).
    • Acompanhamento e vigilância após tratamento, com consultas regulares e exames de imagem.


Importância do diagnóstico precoce

  • Quando o câncer de mama é diagnosticado em estágio inicial, as taxas de sobrevida em 5 anos são muito melhores (alguns estudos mostram taxas acima de 90 %) do que quando há disseminação.
  • O atraso no diagnóstico ou tratamento pode levar ao estágio mais avançado, quando o tumor já se espalhou para linfonodos ou órgãos distantes, o que exige tratamentos mais agressivos e tem prognóstico mais reservado.

Desafios e recomendações

  • No Brasil, o problema não é só técnico, mas de acesso: nem todas as mulheres têm acesso fácil a mamografia, especialistas ou tratamento oportuno.
  • O cumprimento da lei que determina início de tratamento em até 60 dias após diagnóstico (Lei nº 12.732/2012) ainda enfrenta dificuldades.
  • Melhorias nos registros nacionais de câncer, ampliação da cobertura de rastreamento e redução das desigualdades regionais são fundamentais.
  • Investimentos em pesquisa de novas terapias, personalização do tratamento com base genômica e melhoria da infraestrutura hospitalar são igualmente necessários.


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